domingo, 20 de fevereiro de 2011

Os 10 distúrbios psiquiátricos mais controversos

10. Transtorno da identidade do género (TIG), ou transsexualismo

De acordo com o DSM, são pessoas que acreditam que o seu género físico não corresponde ao seu verdadeiro género. Alguns cientistas querem mudar o nome do diagnóstico para “incongruência de género”, o que seria menos preconceituoso.
Mas, para a psicóloga Diane Ehrensaft, de Oakland, especialista em identidade de género nas crianças “definir (a desordem) como ‘incongruência de género’ no DSM ainda faz com que crianças sejam levadas para serem ‘tratadas’, quando elas na verdade não têm nenhum problema”. Aí está a maior controvérsia sobre o TIG: as crianças que não se sentem pertencer ao género no qual nasceram deveriam se poder definir sozinhas ou serem estimuladas a identificar-se com a sua natureza?

Aqueles que optam pela segunda opção argumentam que querem fazer a criança sentir-se bem “na sua própria pele”. Os que defendem a liberdade de escolha, como a pesquisadora, dizer que forçar alguém a viver de uma maneira não aceite, pode causar ansiedade e depressão.


9. Vício em sexo

A Sociedade Americana para o Avanço da Saúde Sexual define o vício em sexo como uma dificuldade da pessoa controlar o seu comportamento sexual. Eles vão em busca dos seus desejos sem pensar se aquilo os pode prejudicar, sem reflectir sobre as consequências. Eles acabam perdendo o limite e ficam obcecados por sexo, mesmo quando não querem mais, ficam só “pensando naquilo”. De acordo com o depoimento de pessoas que se dizem viciadas, elas acabam por não sentir prazer no sexo, sentem apenas vergonha.
Esta desordem pode não entrar na nova versão do DSM como vício, mas sim, chamada de “desordem hipersexual”. 


8. Homossexualidade

Ponto alto de controvérsias não só na área médica. A homossexualidade causa polémica com religiosos, com grupos extremistas e, com os próprios homossexuais, que lutam para que o preconceito contra eles se torne um crime como o racismo.
Em 1973, a Associação Americana de Psiquiatria retirou a homossexualidade da sua lista de distúrbios mentais depois de muitos protestos de activistas gays e lésbicas. A atracção entre pessoas do mesmo sexo passou, então, a ser vista de maneira mais natural pela comunidade científica e pela sociedade.

Até na versão de 1980 do DSM, havia um tipo chamado “homossexualidade egodistónica” que acontecia quando a pessoa tinha atracção pelo sexo oposto, sentia-se mal por isso e procurava tratamento. “A revisão da nomenclatura faz com que o homossexual seja considerado livre de distúrbios psiquiátricos e possibilita um meio de diagnosticar uma desordem cuja característica central é o conflito sobre o comportamento homossexual”, explicou o membro da APA, Robert Spitzer, numa declaração em 1973.

Desde 1986 a categoria egodistónica desapareceu do DSM, pois muitos psiquiatras argumentam que a ansiedade sobre a orientação sexual pode ser encaixada noutras categorias.



7. Síndrome de Asperger
A síndrome de Asperge entrou para o DSM em 1994, mas pode estar fora da sua próxima versão, prevista a ser lançada em 2013. Indivíduos com inteligência normal, capacidade de comunicação, mas com baixíssimo relacionamento social eram diagnosticados com esta síndrome.

Esta categoria pode desaparecer porque os pesquisadores não conseguem diferenciar os diagnósticos de Asperger dos de autismo. As similaridades são muitas. Se a mudança for realizada, as pessoas com esta síndrome passarão a ser classificadas como portadoras de autismo de alto funcionamento.


6. Bipolaridade infantil

O problema da bipolaridade infantil é justamente a palavra “infantil”. Este é considerado um distúrbio adulto que faz o indivíduo variar entre estágios de depressão e excitação extremos. Contudo, entre os anos de 1994 e 2003, o número de crianças associadas a bipolaridade aumentou 40 vezes de acordo com um estudo publicado em 2007 no Archives of General Psychiatry.
A solução encontrada pela APA foi mudar os critérios actuais da bipolaridade e adicionar um novo diagnóstico: “temperamento desregulado com disforia”. Seria definido para crianças com irritabilidade persistente e mudanças de humor frequentes. Para alguns psiquiatras, esta nova categoria serviria apenas para transformar em doença um comportamento comum das crianças.


5. Transtorno de déficit de atenção/hiperatividade em adultos (TDAH)

Este caso é o inverso do anterior. O TDAH é considerado, principalmente, um distúrbio infantil. As crianças com esta desordem psiquiátrica não conseguem ficar paradas ou manter o foco numa actividade por muito tempo. Este transtorno é tão controverso, em crianças e em adultos, que existem até teorias da conspiração. Alguns psiquiatras acham que a classificação desta doença serve apenas para a indústria farmacêutica vender medicação para combatê-la. O psiquiatra da Universidade de Nova Iorque, Norman Sussman, concorda com a desconfiança, mas acredita que o distúrbio não será desconsiderado: “Os benefícios do tratamento farmacológico e terapêutico já estão bem estabelecidos”.


4. Transtorno dissociativo de identidade (TDI)


Um distúrbio de múltiplas personalidades. Críticos dizem que o TDI é artificial, inventado, e propagado por terapeutas que tentam convencer os doentes que os seus problemas são causados por múltiplas personalidades. Polémicas à parte, o transtorno continuará constando no DSM.



3. Transtorno de personalidade narcisista

Na mitologia, Narciso foi um mortal, filho de um deus e uma ninfa, dono de uma beleza sem igual. Por causa disso, ele tinha um ego enorme e achava que nenhum outro mortal era merecedor de compartilhar a sua beleza. Morreu sozinho, admirando a sua imagem numa fonte.

Assim seriam as pessoas que sofrem do transtorno de personalidade narcisista, vivem por elogios e desprezam o próximo. A controversa sobre a sua entrada no DSM aconteceu porque ninguém sabia bem como classificar alguma pessoa com este transtorno. Até 50% das pessoas diagnosticadas também pareciam sofrer de outros transtornos de personalidade como o Histriónico ou o Borderline.

A APA decidiu propor mudanças na próxima edição do DSM para os transtornos da personalidade. O novo documento iria deixar os transtornos menos específicos e colocar as características num sistema de tipos e traços disfuncionais.


2. Inveja do pénis

A inveja do pénis é uma teoria Freudiana que diz, em resumo, que o desenvolvimento sexual das raparigas é movido pela inveja dos rapazes por elas não terem um pénis. Há muitas outras questões por trás da inveja do pénis, mas só um especialista pode atrever-se a discuti-las. Alguns psicanalistas, hoje em dia, consideram actualizadas as teorias de Freud.
As APA, no entanto, ainda promovem a psicanálise freundiana. A Sociedade Internacional de Neuropsicanálise foi além e tenta juntar as últimas novidades da neurociência às teorias do pai da psicanálise.


1. Histeria

Os sintomas de histeria nas mulheres eram considerados variados e vagos: descontentamento, fraqueza, emoções descontroladas e nervosismo. De acordo com um artigo publicado no editorial do Spinal Cord, em 2002, o diagnóstico de histeria foi diminuindo gradualmente ao longo do século 20. Nos anos 1980 foi substituído no DSM por outros distúrbios. [LiveScience]
Fonte: 
17 February 2011 Time: 06:37 PM ET




2 comentários:

Anónimo disse...

Há uma outra desordem, que deve ser discutida, mas provavelmente não é diagnosticada porque as pessoas não percebem que se trata de um transtorno real, que é "ciúme insano ou mórbido". Eu nunca tinha ouvido falar dele até que ficou presente na minh vida. Foi muito assustador viver com isto e no momento não percebi que era uma doença real. Tive sorte em conseguir contrair o divorcio mas, muita gente não se saíu tão bem, e termina em suicídio ou homicídio-suicídio. Eu tenho a certeza que há muita gente que beneficiaria em saber como lidar com ele. Só precisa ser colocado à luz pública. Obrigado

Anónimo disse...

Ciúme mórbido é muitas vezes associado a outros sintomas psicológicos tais como, transtorno da personalidade borderline ou doença bipolar. Não estou dizendo que não se trata de um enorme problema em si mesmo, que é! Mas tratar o ciúme mórbido de forma isolada muitas vezes não produz resultados a longo prazo, se a causa não for tratada.

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